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Eficiência Energética no Segmento de Força Motriz

Eficiência Energética no Segmento de Força Motriz

Segundo pesquisas, mais de 30% da energia elétrica do Brasil é consumida por motores elétricos. O que representa um considerável potencial para a redução de perdas no setor industrial. Em artigo publicado pela Revista Eletricidade Moderna, edição outubro/2019, os autores e funcionários da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) descrevem um programa desenvolvido para promover a eficiência energética através da substituição de motores antigos e/ou recondicionados por outros mais modernos e eficientes, utilizando um sistema de bônus: o Bônus Motor.

De acordo com a publicação, uma grande parte dos motores elétricos em operação é antiga e obsoleta e não atende aos níveis mínimos de eficiência definidos por regulamentações. Além disso, eles perdem eficiência com o passar do tempo, consumindo mais energia sem aumentar sua produtividade. No Brasil também é muito comum o recondicionamento de motores. Apesar de parecer vantajosa em função do baixo custo, acaba reduzindo a vida útil e prejudicando a eficiência do equipamento, que consome mais energia do que o necessário.

O Programa Bônus Motor

Desenvolvido pela Celesc para atuar de forma mais simples e direta na eficientização energética dos sistemas de força motriz, o Programa Bônus Motor visa atualizar o parque fabril catarinense e tornar menos atrativa o recondicionamento de motores elétricos.

Segundo a revista, nesta iniciativa a concessionária concede um bônus financeiro que não necessita de devolução e nem da contratação de empresas de engenharia. O bônus é concedido no momento da aquisição dos motores e o cliente paga somente a diferença entre o valor total do motor e o pago pela Celesc. Assim, o objetivo fica claro:  reduzir o investimento para adquirir um motor de alta eficiência, o qual proporciona bastante economia de energia.

Desenvolvimento

Com a aquisição de motores elétricos mais modernos e eficientes, o projeto possibilitou que o setor empresarial mantivesse ou aumentasse a sua produtividade com menor consumo de energia elétrica. Promover a atualização tecnológica do parque de força motriz de Santa Catarina, reduzir a atratividade do recondicionamento de motores e da utilização de modelos pouco eficientes e promover a eficiência energética são alguns dos objetivos do projeto.

A missão do projeto é incentivar ações que visem a substituição de motores antigos e pouco eficientes por modelos mais modernos. Estes, devem atender à regulamentação vigente de padrões mínimos de eficiência energética.

Gerenciamento do Projeto

Os serviços de gerenciamento consistem no monitoramento e coordenação de toda a logística operacional do projeto. Assim, garantindo a viabilidade e a correta execução de todos os serviços necessários para o sucesso do programa.

Para isso, foi desenvolvido um sistema específico composto de software e site para auxiliar na gestão e vendas. O sistema é composto por um banco de dados com os motores disponíveis para compra e por dados de rendimento médio dos equipamentos antigos e ano de fabricação. A plataforma permite acompanhar em tempo real a evolução das vendas, o número de motores entregues, de antigos recolhidos e descartados e a energia economizada.

A comercialização dos motores

Segundo a Revista Eletricidade Moderna, consiste na venda e entrega dos novos equipamentos e a retirada do produto antigo no consumidor. Para participar do projeto, exige-se que os consumidores tivessem registro de CNPJ em dia com suas obrigações legais perante a concessionária e enquadrados em uma das classes de consumo: industrial, comércio e serviços, poder público, rural e serviços públicos. O processo de inscrição dos interessados foi realizado através do site, com um sistema desenvolvido para o projeto.

Para definir os valores dos bônus a serem disponibilizados, realizou-se um estudo visando garantir a viabilidade do projeto. Diminuindo o número de motores sobredimensionados e estimulando as vendas dos motores com potências acima de 15 CV. Com base nesse sistema foi adotado um sistema de bônus variável conforme a potência do motor a ser substituído e a classe de rendimento do novo. Para novos motores trifásicos foi estipulado R$ 70,00/CV para classe IR2 e R$ 94,00/CV para classe IR3. No caso de motores monofásicos foi estabelecido R$ 46,00/CV para classe IR1.

Após atendidas as exigências, de acordo com o artigo, os próximos passos foram: emitir o pedido de compra dos motores usados, a duplicata de cobrança ao cliente e a cópia do Termo de Adesão ao Projeto para impressão.

Para obter o bônus, ao receber o motor novo, o cliente deveria instalá-lo em até 60 dias após recebê-lo. Logo emitir nota fiscal de venda de sucata do motor descartado e encaminhá-la junto com os motores a serem descartados. Depois de recebidos os motores antigos, a duplicata com o valor do bônus era cancelada. Caso não ocorresse o descarte dos motores antigos dentro do prazo estipulado, a duplicata referente ao valor do bônus era cobrada e o montante disponibilizado para novos clientes.

Descarte dos equipamentos

Todos os motores foram descartados de acordo com as regras estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente e demais normas aplicadas.

O recolhimento dos motores antigos só é realizado após o cliente informar a disponibilidade para o descarte. De acordo com a publicação, foram mais de 25 mil kg de cobre, 120 mil kg de ferro, 7 mil kg de alumínio e 26 mil kg de aço na primeira etapa do projeto.

Ações de Marketing e Divulgação

O objetivo das divulgações do projeto foram incentivar a participação de potenciais clientes e disseminar o conhecimento e as práticas voltadas à eficiência energética. Promovendo, assim, a mudança de comportamento do consumidor. A campanha de divulgação contou com a confecção de flyers, outdoors, anúncios em rádios e jornais, criação de site específico e páginas nas redes sociais.

Resultados

Conforme consta no artigo, a primeira edição do Programa Bônus Maior contou com a participação de 259 clientes. Isso gerou um total de 527 pedidos e 3471 motores cadastrados. Foram aprovados 216 pedidos, resultando na comercialização de 1714 motores, beneficiando 152 clientes.

Conclusões

Com base em todos os dados e resultados que o Programa trouxe, os autores deste artigo concluem que o setor empresarial brasileiro necessita de mais investimentos em ações de eficiência energética direcionadas ao seu parque fabril. Principalmente para os motores elétricos, que são os maiores consumidores de energia. 

Também se percebe que é preciso inibir a prática do recondicionamento de motores antigos, que eleva cada vez mais os custos com energia elétrica desse setor.

Ainda segundo o artigo, o Programa “Bônus Maior” fomentou a substituição de mais de 1,7 mil motores. O que resultou em uma redução da demanda no horário de ponta de 2,4 MW. Além da economia total de 18,64 Gwh/ano – o que corresponde ao consumo de aproximadamente 7,5 mil residências e a redução de mais de 1,68 mil toneladas de CO2 emitidos para a atmosfera.

Foram investidos R$ 14,87 milhões nos novos motores, dos quais R$ 5,02 milhões foram pagos pela Celesc (bônus concedido no momento da compra). Os clientes participantes obtiveram bônus médio de 33,78% na troca de seus motores. 

R$ 152,92/MWh foi o custo de energia conservada com o “Bônus Maior”. Considerando apenas o valor aportado pelo programa, esse custo cai para apenas R$ 34,65/MWh.

Esse valor ficou abaixo do custo marginal de expansão do sistema elétrico nacional. Comprovando, assim, que a eficiência energética em força motriz é uma alternativa altamente viável. A mesma quantidade de energia pode ser disponibilizada, a preços mais baixos, sem a necessidade de novas obras e com efeitos positivos no meio ambiente. 

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